19 milhões de jovens adultos brasileiros, entre 18 e 34 ano
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19 milhões de jovens adultos brasileiros, entre 18 e 34 ano
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# China: o maior poluidor do planeta?
## O país que lidera as emissões de CO₂ também registra milhões de mortes atribuíveis à poluição — mas a história é mais complexa do que uma simples manchete
Quando se fala em poluição, a China aparece inevitavelmente no centro do debate. O país é hoje o maior emissor mundial de CO₂ em volume anual e responde por cerca de **32% das emissões globais de CO₂ provenientes de combustíveis fósseis**. Ao mesmo tempo, também se tornou uma das maiores potências mundiais em energia solar, eólica, baterias e veículos elétricos.
Essa contradição é importante. A China não é simplesmente um país que “não se importa com o meio ambiente”. É uma potência industrial que produz e consome energia em uma escala gigantesca, enquanto tenta fazer uma transição energética sem abrir mão de crescimento econômico, competitividade industrial e segurança energética.
E existe uma consequência humana que não pode ser ignorada: a poluição atmosférica está associada a milhões de mortes prematuras todos os anos.
## Quase 2 milhões de mortes atribuíveis à poluição na China
Os números mais recentes disponíveis no estudo **Global Burden of Disease 2025**, compilados pelo Institute for Health Metrics and Evaluation (IHME), estimam que **2,04 milhões de mortes na China em 2023 foram atribuíveis à poluição do ar**. O número inclui diferentes formas de exposição à poluição, entre elas poluição atmosférica externa, material particulado e poluição doméstica. ([Our World in Data][1])
É importante fazer uma ressalva jornalística: dizer que essas pessoas foram “mortas pela China” seria uma simplificação. As estimativas de mortalidade atribuível à poluição são cálculos epidemiológicos que procuram determinar quantas mortes provavelmente ocorreram antes do esperado em razão da exposição a determinados fatores de risco. ([State of Global Air][2])
Ainda assim, a dimensão do problema é impressionante.
Em 2023, a China respondeu sozinha por aproximadamente **2 milhões das 7,9 milhões de mortes atribuídas à poluição do ar no mundo**, segundo o *State of Global Air 2025*. ([State of Global Air][3])
## O material particulado é um dos grandes vilões
Entre os poluentes mais perigosos está o **PM2,5**, formado por partículas extremamente pequenas capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório.
Segundo o *State of Global Air*, a exposição prolongada ao PM2,5 está associada a doenças como:
* doenças cardíacas;
* acidente vascular cerebral;
* câncer de pulmão;
* doença pulmonar obstrutiva crônica;
* infecções respiratórias;
* diabetes tipo 2.
Em 2023, aproximadamente **4,9 milhões de mortes no mundo** foram atribuídas à exposição ao PM2,5. China e Índia, juntas, responderam por cerca de 56% dessa mortalidade. ([State of Global Air][4])
Na China, somente a poluição externa por partículas finas esteve associada a aproximadamente **1,78 milhão de mortes em 2023**. ([Our World in Data][5])
Portanto, a discussão sobre poluição não deveria ser reduzida a uma disputa ideológica entre “ambientalistas” e “desenvolvimentistas”.
Estamos falando de saúde pública.
## Afinal, a China é o maior poluidor do planeta?
Depende do que chamamos de “poluidor”.
Se a referência for **emissões anuais de CO₂**, a resposta é sim: a China é o maior emissor nacional do planeta.
A análise do *Global Carbon Project* publicada pelo Carbon Brief estima que a China representou cerca de **32% das emissões globais de CO₂ provenientes de combustíveis fósseis em 2025**. ([Carbon Brief][6])
Mas isso não significa que a China seja responsável por toda a poluição mundial.
Os Estados Unidos, por exemplo, continuam sendo responsáveis por uma parcela muito maior das emissões históricas acumuladas desde a Revolução Industrial. Uma análise do Carbon Brief estimou que, em 2023, as emissões históricas da China haviam alcançado 312 bilhões de toneladas de CO₂, ultrapassando os 303 bilhões de toneladas atribuídos à União Europeia, mas ainda dentro de uma história de emissões na qual os países desenvolvidos tiveram enorme participação. ([Carbon Brief][7])
É justamente por isso que a comparação precisa ser feita com cuidado.
**Emissões atuais, emissões per capita e emissões históricas são métricas diferentes.**
## A contradição chinesa: carvão de um lado, energia limpa do outro
Existe outra parte da história que frequentemente desaparece das manchetes.
A China também é o maior investidor mundial em energia. Segundo a Agência Internacional de Energia (IEA), o país investiu mais de **US$ 625 bilhões em energia limpa em 2024** e atingiu antecipadamente sua meta de capacidade de energia solar e eólica para 2030. ([IEA][8])
Em 2025, a expansão de fontes renováveis continuou em ritmo extraordinário. A IEA estima que a China respondeu por mais de **60% do crescimento global de capacidade renovável naquele ano**, adicionando quase 500 GW. ([IEA][9])
Isso demonstra uma estratégia bastante particular.
A China quer reduzir sua dependência futura dos combustíveis fósseis sem abrir mão da sua capacidade industrial atual.
E é justamente aí que surge uma das maiores contradições do modelo.
## A China ainda está construindo usinas a carvão
Ao mesmo tempo em que expande energia solar e eólica, a China continua adicionando capacidade de geração a carvão.
Segundo o Global Energy Monitor, o país colocou em operação aproximadamente **78 GW de nova capacidade de geração a carvão em 2025**, o maior volume anual em uma década. Além disso, propostas novas ou reativadas chegaram a aproximadamente **161 GW** naquele ano. ([Global Energy Monitor][10])
Isso não significa necessariamente que todas essas usinas funcionarão em plena capacidade.
Mas revela uma prioridade estratégica: **segurança energética**.
Para Pequim, energia não é apenas uma questão ambiental. É também uma questão de soberania, indústria, emprego, crescimento econômico e segurança nacional.
## A poluição pode matar sem parecer uma tragédia
Talvez esse seja o aspecto mais importante da discussão.
Uma guerra produz imagens de destruição. Um assassinato produz uma vítima identificável. Uma epidemia produz hospitais lotados.
A poluição atmosférica funciona de maneira diferente.
Ela pode aumentar gradualmente o risco de doenças cardiovasculares, respiratórias e cânceres ao longo de anos. Por isso, suas vítimas aparecem nas estatísticas de doenças e mortalidade, e não necessariamente como uma “vítima da poluição” identificada individualmente.
A Organização Mundial da Saúde estima que a combinação da poluição atmosférica externa e da poluição doméstica esteja associada a aproximadamente **6,7 milhões de mortes prematuras por ano**. ([Organização Mundial da Saúde][11])
É uma das maiores ameaças ambientais à saúde humana.
## E o planeta?
Existe ainda uma segunda dimensão.
O CO₂ não é, em si, o mesmo tipo de poluente diretamente responsável por doenças respiratórias como o PM2,5. Seu principal impacto ambiental está relacionado ao aumento do efeito estufa e às mudanças climáticas.
Por isso, é importante não misturar conceitos.
**Poluição do ar e mudança climática estão relacionadas, mas não são exatamente a mesma coisa.**
A queima de carvão, petróleo e gás pode produzir simultaneamente CO₂ e outros poluentes atmosféricos.
É possível, portanto, que uma política energética consiga reduzir determinados poluentes locais sem eliminar imediatamente as emissões de gases de efeito estufa — e também é possível reduzir emissões de carbono sem resolver todos os problemas de qualidade do ar.
## O paradoxo chinês
A China talvez seja o melhor exemplo da dificuldade de conciliar três objetivos:
**crescimento econômico + segurança energética + proteção ambiental.**
O país quer continuar sendo a fábrica do mundo.
Quer produzir aço, cimento, veículos, baterias, painéis solares, computadores e milhares de outros produtos.
Quer garantir eletricidade barata para sua indústria.
Quer diminuir sua dependência energética externa.
E, simultaneamente, quer dominar as tecnologias que formarão a próxima economia de baixo carbono.
Esse modelo tem resultados contraditórios.
De um lado, a China lidera a expansão mundial de energia renovável e tem conseguido melhorar significativamente a qualidade do ar. O *State of Global Air* aponta que a redução da exposição ao PM2,5 na Ásia Oriental foi impulsionada principalmente pelas melhorias registradas na China. ([State of Global Air][4])
De outro, a expansão da capacidade de geração a carvão continua sendo uma preocupação ambiental relevante. ([Global Energy Monitor][12])
## O que o resto do mundo deveria aprender?
Talvez a principal lição não seja simplesmente “a China é o vilão”.
A questão é mais interessante.
A experiência chinesa mostra que **desenvolvimento econômico em escala continental exige uma quantidade gigantesca de energia**. E mostra também que uma transição energética não acontece simplesmente substituindo uma fonte por outra da noite para o dia.
A China está tentando fazer essa transição enquanto mantém sua indústria funcionando.
O mundo deveria observar esse processo com atenção — tanto seus acertos quanto seus erros.
Porque existe uma pergunta que ultrapassa as fronteiras chinesas:
**é possível aumentar o padrão de vida de bilhões de pessoas sem produzir uma quantidade igualmente gigantesca de poluição?**
A resposta ainda está sendo construída.
E, enquanto ela não chega, milhões de pessoas continuam pagando o preço invisível de respirar um ar contaminado.
—
### **China: vilã ambiental ou laboratório do futuro?**
A resposta mais honesta é: **um pouco dos dois, dependendo da métrica analisada.**
A China é o maior emissor anual de CO₂ do planeta. Possui uma enorme dependência histórica do carvão e continua expandindo sua capacidade térmica.
Mas também é a maior potência mundial em investimentos e implantação de diversas tecnologias de energia limpa.
A discussão séria não precisa escolher entre demonizar a China ou ignorar seus impactos ambientais.
Pode fazer algo melhor:
**medir, comparar e cobrar resultados.**
Porque, no final, a questão ambiental não deveria ser sobre qual país vence uma guerra de narrativas.
Deveria ser sobre quantas pessoas conseguem respirar melhor, viver mais e ter acesso a energia confiável sem transformar crescimento econômico em uma conta ambiental impossível de pagar.
### Fontes e referências
As principais estimativas utilizadas nesta matéria vêm do **Global Burden of Disease/IHME**, do **State of Global Air**, da **Organização Mundial da Saúde**, da **Agência Internacional de Energia**, do **Global Energy Monitor** e do **Global Carbon Project**. ([Our World in Data][1])
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[1]: https://ourworldindata.org/grapher/air-pollution-deaths-country?utm_source=chatgpt.com “Deaths from air pollution, 2023”
[2]: https://www.stateofglobalair.org/data/estimate-burden?utm_source=chatgpt.com “How We Estimate Burden of Disease | State of Global Air”
[3]: https://www.stateofglobalair.org/sites/default/files/documents/2025-10/soga-2025-report.pdf?utm_source=chatgpt.com “State of Global Air/2025: A Report on Air Pollution and Its Role in the World’s Leading Causes of Death”
[4]: https://www.stateofglobalair.org/pollution-sources/pm25?utm_source=chatgpt.com “PM2.5 | State of Global Air”
[5]: https://ourworldindata.org/grapher/absolute-number-of-deaths-from-outdoor-air-pollution?utm_source=chatgpt.com “Deaths from outdoor air pollution, 2023”
[6]: https://www.carbonbrief.org/analysis-fossil-fuel-co2-emissions-to-set-new-record-in-2025-as-land-sink-recovers?utm_source=chatgpt.com “Analysis: Fossil-fuel CO2 emissions to set new record in 2025, as land sink ‘recovers’ – Carbon Brief”
[7]: https://www.carbonbrief.org/analysis-chinas-emissions-have-now-caused-more-global-warming-than-eu?utm_source=chatgpt.com “Analysis: China’s emissions have now caused more global warming than EU – Carbon Brief”
[8]: https://www.iea.org/reports/world-energy-investment-2025/china?utm_source=chatgpt.com “China – World Energy Investment 2025 – Analysis – IEA”
[9]: https://www.iea.org/reports/global-energy-review-2026/technology-solar-pv-and-wind?utm_source=chatgpt.com “Technology: Solar PV and wind – Global Energy Review 2026 – Analysis – IEA”
[10]: https://globalenergymonitor.org/research/built-peak-coal-power-expansion-runs-out-room-china?utm_source=chatgpt.com “Built to peak: Coal power expansion runs out of room in China | Global Energy Monitor”
[11]: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/household-air-pollution-and-health?utm_source=chatgpt.com “Household air pollution”
[12]: https://globalenergymonitor.org/research/boom-and-bust-coal-2026?utm_source=chatgpt.com “Boom and Bust Coal 2026 | Global Energy Monitor”
China: o maior poluidor do planeta? O país que lidera as emissões de CO₂ também registra milhões de mortes atribuíveis à poluição — mas a história é mais complexa do que uma simples manchete Quando se fala em poluição, a China aparece inevitavelmente no centro do debate. O país é hoje o maior emissor mundial…
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